Chance de filho repetir baixa escolaridade dos pais no Brasil é o dobro nos EUA

Percentual no Brasil é 58,3%, contra 29,2% nos EUA

[Chance de filho repetir baixa escolaridade dos pais no Brasil é o dobro nos EUA]

FOTO: Reprodução/ Agência Brasil

A chance de um filho repetir a baixa escolaridade dos seus pais no Brasil é o dobro da probabilidade dos Estados Unidos. Em média, quase 6 em cada 10 brasileiros (58,3%) cujos pais não tinham o ensino médio completo em 2014 (último ano para o qual há dados) também pararam de estudar antes de completar o ciclo. 

Ao comparar com os americanos, o percentual cai para 29,2%. Já a média na OCDE, grupo que reúne quase quatro dezenas de nações ricas e emergentes, era de 33,4%.

O contraste entre brancos e negros brasileiros também é significativo. Entre os filhos de pais pretos e pardos que não terminaram o ensino médio, 64% não avançaram além disso. Nas famílias brancas, essa proporção era de 51,6%.

O conjunto de dados faz parte do estudo inédito do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds), que aponta as transformações educacionais ocorridas entre gerações brasileiras. 

"O fato de que há grande desigualdade educacional [no Brasil] decorrente da incapacidade da sociedade de fazer avançar os filhos dos mais pobres (os menos escolarizados de suas respectivas gerações)", ressalta um trecho da pesquisa.

A partir da análise de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da OCDE, os pesquisadores apresentam um retrato da escolaridade alcançada pelos filhos adultos em relação à de seus pais.

Entre a população de baixa renda, mesmo com os pais que conquistaram um diploma universitário têm grande dificuldade em "transmitir" aos filhos. Dos 20% mais pobres do país, apenas 27,7% dos filhos cujos pais tinham ensino superior, em 2014, atingiram essa mesma escolaridade. Na população 20% mais rica, a fatia dos filhos que, como seus pais, possuíam curso universitário era de 81,5%.

A análise conta com comparações tanto dos resultados da média do Brasil em relação ao desempenho das nações da OCDE quanto entre diferentes grupos populacionais brasileiros, em recortes de raça, renda e gênero.
 


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