Presidente do Banco Central alerta sobre implicações nos juros do cartão de crédito

Conforme dados do Banco Central, os juros do rotativo atingiram 441,1% em setembro

[Presidente do Banco Central alerta sobre implicações nos juros do cartão de crédito]

FOTO: Lula Marques/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, revelou nesta sexta-feira (17) sua frustração ao não conseguir um consenso em torno dos juros do rotativo do cartão de crédito. Durante o evento “E agora, Brasil?”, organizado pelos jornais Valor Econômico e O Globo, Campos Neto expressou sua preocupação com a possível ruptura no mercado de cartões, caso não haja um entendimento entre administradores de cartões, bancos, maquininhas e varejistas.

"Estamos preocupados em encontrar uma solução. Falhamos em chegar a um acordo, e isso pode gerar ruptura no mercado de cartões, o que seria prejudicial para todos", enfatizou.

Ao ser indagado sobre a percepção de falha na busca por um entendimento com os agentes do mercado, o presidente do Banco Central assegurou que continua em busca de uma solução e negou estar pessimista em relação a isso.

“Não posso afirmar pessimismo, pois ainda estamos trabalhando nisso. Existem dois grupos: um que não está disposto a negociar sem alterações no número de parcelas e outro que considera essa mudança inviável. Precisamos encontrar uma solução intermediária”, explicou.

Em outubro, o governo promulgou uma lei que impõe limites aos juros do rotativo do cartão de crédito. Esta legislação deu um prazo de 90 dias para os agentes do mercado apresentarem uma proposta para o Conselho Monetário Nacional (CMN), através do Banco Central, visando à limitação das taxas. O prazo final é 1º de janeiro de 2024.

Caso nenhuma proposta seja apresentada, os juros do rotativo serão limitados ao valor original da dívida. Campos Neto alertou para as implicações desse impasse: "Se nada for feito, entraremos em um sistema que, apesar de parecer, na teoria, limitar os juros, terá uma eficácia de restrição bastante baixa."

O presidente do Banco Central destacou que, devido ao curto período em que a maioria das pessoas permanece no rotativo, a limitação anual de juros terá um impacto reduzido. "Isso não resultará em uma queda expressiva dos juros", esclareceu.

Conforme os dados mais recentes do Banco Central, os juros do rotativo atingiram 441,1% em setembro, registrando o pico mais alto do ano em maio, alcançando 454%.


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