Vídeo: "A ONU deveria intervir para que se encontrasse uma solução", diz Lula sobre conflitos na Faixa de Gaza

Declarações abordaram conflitos internacionais e a urgência de intervenção

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FOTO: José Cruz/Agência Brasil

Durante entrevista conjunta com o chanceler alemão Olaf Scholz nesta segunda-feira (4), o presidente Lula (PT) discutiu questões globais, incluindo a guerra entre Rússia e Ucrânia e os conflitos entre Israel e a Faixa de Gaza, região palestina. Ele reiterou a urgência de reformar a Organização das Nações Unidas (ONU) e seu Conselho de Segurança, enfatizando a necessidade de promover decisões efetivas em questões críticas, principalmente ambientais.

Lula criticou o papel atual da ONU, mencionando que a organização, criada para preservar a paz mundial, não tem cumprido seu papel histórico de forma adequada. O Conselho de Segurança, composto por Estados Unidos, Rússia, China, Índia, França e Reino Unido, enfrenta o desafio de lidar com países que, apesar de terem assentos de liderança, são os principais produtores e vendedores de armas e frequentemente entram em conflitos sem aprovação do Conselho. O poder de veto dessas nações, quando decisões importantes são propostas, foi destacado por Lula como um dos principais obstáculos para a eficácia da ONU.

"Os conflitos que estamos vendo na Rússia e na Ucrânia, entre Israel e Faixa de Gaza, não é nada mais nada menos que a irracionalidade do ser humano. Quero dizer para vocês que tudo isso acontece porque a ONU não está cumprindo com o papel histórico para qual ela foi criada. A ONU tem um Conselho de Segurança, do qual fazem parte cinco países: Estados Unidos, Rússia, China, Índia, França e Reino Unido. E esses países deveriam zelar para manter a paz no mundo. Entretanto, são esses países que mais produzem armas, os que mais vendem armas e fazem guerras sem passar pela decisão do Conselho de Segurança", afirmou o presidente.

Sobre a invasão de território, o presidente salientou o respeito à Carta da ONU, que proíbe a violação da integridade territorial de qualquer nação. No entanto, defendeu a importância de buscar a paz através da mediação da Assembleia das Nações Unidas, enfatizando a necessidade de evitar o posicionamento de apoio unilateral em conflitos, a fim de promover a resolução pacífica de controvérsias internacionais.

Quanto ao genocídio na Faixa de Gaza, Lula lamentou a inércia da ONU em tomar medidas efetivas, enfatizando sua posição humanista diante do conflito entre palestinos e israelenses. Ele expressou preocupação com a tragédia humanitária resultante dos ataques, apontando a necessidade urgente de trégua e retirada de civis de áreas de perigo. Lula relembrou uma proposta brasileira no Conselho de Segurança, apoiada por 12 países, incluindo o Brasil, para uma trégua humanitária, contudo, a iniciativa foi vetada pelos Estados Unidos.

"Acompanho as divergências entre palestinos e judeus há muitas décadas. Esta é a única vantagem que eu tenho de ser mais velho. São muitos anos de militância, vendo conflitos, divergências, ataques, desaforos, agressões. Eu sou presidente de um país que tem uma grande comunidade judaica e tem uma grande comunidade árabe. Temos praticamente 20 milhões de árabes, descendentes de libaneses, sírios… E a gente vive em paz. É esse modelo de paz que eu gostaria que tivesse em Israel. São 15 mil mortos, dos quase 7 mil crianças, e 80% mulheres e crianças, além de 7 mil desaparecidos. Aí esqueça a minha condição de presidente do Brasil. A minha condição de humanista é de que não há por que haver essa guerra. A desgraça foi feita no primeiro atentado, a ONU deveria intervir para que se encontrasse uma solução", acrescentou.

O presidente concluiu ressaltando a importância de uma solução diplomática e negociada para o conflito, reforçando a convicção de que a coexistência pacífica entre Israel e Palestina em territórios separados é a única via para a paz duradoura na região.

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